Pedro Estevão analisa as múltiplas safras e a adaptação ao clima tropical, que ajudam a impulsionar a competitividade da indústria
O avanço tecnológico do agronegócio brasileiro tem redefinido o posicionamento internacional da indústria de máquinas e equipamentos agrícolas. Em 2025, o PIB da agropecuária cresceu 11,7% e alcançou R$ 775,3 bilhões, o equivalente a 6,1% da economia nacional, em um movimento que impulsiona diretamente a demanda por soluções mais sofisticadas e amplia o potencial exportador do setor industrial associado.
Esse dinamismo já se reflete na pauta externa. O segmento de máquinas e equipamentos voltados ao agronegócio respondeu por 13,3% das exportações do setor em 2025 e figura entre os seis principais eixos da indústria, segundo a ABIMAQ. Na avaliação de Pedro Estevão, Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da ABIMAQ, a competitividade brasileira decorre de uma construção sistêmica entre campo e indústria. "As inovações tecnológicas que tornaram o Brasil altamente competitivo não se resumem apenas ao que ocorre no campo", afirma.
A base desse avanço está nas particularidades do modelo produtivo nacional. A adaptação ao clima tropical, a intensificação com múltiplas safras e o desenvolvimento de tecnologias agronômicas específicas criaram um ambiente de elevada complexidade operacional. Segundo Estevão, esse contexto exige soluções próprias e contínua evolução tecnológica. "É só você imaginar que com a mesma terra, com o mesmo maquinário, você faz duas safras e os principais concorrentes nossos fazem uma", afirma.
A diversidade da agricultura brasileira também impulsiona a especialização industrial. Com cerca de 420 fabricantes, o setor reúne empresas de diferentes portes e nichos, capazes de atender demandas específicas por cultura e região. Conforme destaca Estevão, essa característica fortalece a competitividade do país ao permitir o desenvolvimento de máquinas adaptadas a diferentes realidades produtivas. "Existem fabricantes especializados em atender essas especificidades regionais, desenvolvendo equipamentos adaptados a cada realidade produtiva, ora Rio Grande do Sul, ora São Paulo, ora Nordeste", afirma.
Nos últimos anos, a incorporação da agricultura digital transformou o papel das máquinas. Equipamentos passaram a integrar sensores, sistemas de geolocalização e processamento de dados, elevando o nível de precisão das operações. Segundo Estevão, a tecnologia embarcada permite monitorar todas as etapas da produção e aprimorar decisões.
Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico amplia o valor agregado dos equipamentos brasileiros no mercado internacional. Máquinas que operam com base em dados e algoritmos aumentam a eficiência e reduzem perdas, o que fortalece sua competitividade frente a concorrentes globais. Na leitura de Estevão, esse processo tende a se intensificar. "O uso dessas tecnologias da agricultura digital tende a crescer muito com o tempo, sem desacelerar", afirma.
Apesar disso, a difusão tecnológica ainda ocorre de forma desigual. Grandes propriedades concentram o uso de equipamentos mais avançados, enquanto produtores de menor porte operam com tecnologias menos recentes. Segundo Estevão, essa dinâmica decorre do ciclo de renovação das máquinas, mas também revela oportunidades.
Nesse cenário, a Agrishow 2026 consolida-se como plataforma estratégica para conectar inovação e negócios. A feira deve reunir mais de 197 mil visitantes e 800 marcas, além de compradores de mais de 50 países e rodadas internacionais que aproximam empresas brasileiras de parceiros comerciais. Ao traduzir, em escala, a evolução tecnológica do campo e da indústria, o evento reforça o papel do Brasil como fornecedor global de soluções agrícolas e amplia as possibilidades de inserção internacional das empresas do setor.

