Indicador da evolução das relações comerciais regionais, a Rodada Internacional de Negócios de Mineração 2026 somou US$ 36 milhões em negócios entre fabricantes brasileiras e compradores latino-americanos de máquinas e equipamentos. O resultado evidencia um amadurecimento do networking desse ecossistema e indica a ampliação do espaço para fornecedores nacionais na cadeia produtiva do setor mineral do continente.
Realizada em Belo Horizonte, a ação reuniu 29 empresas brasileiras e nove compradores da Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile e Peru em um total de 259 reuniões. Do volume movimentado, US$ 15,7 milhões foram gerados durante o evento. A rodada faz parte da agenda do Brazil Machinery Solutions, voltada à geração de negócios internacionais para as empresas participantes.
O evento atraiu fabricantes brasileiras como Açoforja, Acoplast Brasil, Altave, Antares, Astec do Brasil, Automated, Bariontec, Brastorno, BRG, Bristol, BS&B, Coester, Ebara, Eikon, Gratt, Haver & Boecker, Máquinas Furlan, Marb do Brasil, Mineral Technologies, Mult Engrenagens, Multibelt, Nova Smar, Porta Cabos, PROGT, PUR Equipamentos, Semco, Verdes Máquinas, Weidmüller e Zanardo.
Rayane Alvarenga, gerente executiva de promoção comercial internacional da ABIMAQ, acredita que o desempenho da rodada ocorre em um cenário de mudança na demanda do setor. “A mineração na América Latina está se diversificando, e isso exige soluções diferentes das tradicionais. As empresas que conseguem se adaptar a esse novo perfil de demanda tendem a encontrar mais espaço nesses mercados”, afirma.
Essa mudança no perfil da demanda já se reflete nas exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para mineração, que cresceram 6% em 2025 e atingiram US$222,6 milhões em vendas externas no período. Parte dessas exportações têm como destino países latino-americanos, onde a atividade vem se diversificando para minerais críticos como cobre, lítio e terras raras, ampliando a demanda por soluções industriais mais variadas.
Na visão dos compradores, a rodada ampliou a interação entre empresas da região e facilitou a identificação de oportunidades comerciais. Catalina Henao Orozco, da Mineral Roble, afirma que esse movimento amplia o potencial de atuação conjunta. “É importante reconhecer que o Brasil, e nós da América Latina, como compradores e fornecedores da mineração, temos muito a contribuir com o mercado mundial”, diz.
Parte das negociações iniciadas durante o evento segue em andamento, com expectativa de geração de US$20,3 milhões adicionais nos próximos 12 meses. O dado reforça o papel da rodada como ponto de partida para relações comerciais que se desenvolvem ao longo do tempo.
Para Aníbal La Puente, gerente de logística e custos da Minera Poderosa, a rodada amplia as possibilidades comerciais. “O evento oferece uma excelente plataforma para aumentar a visibilidade das empresas e abrir novas possibilidades de negócios na região”, observa.
As perspectivas de continuidade também se confirmam no engajamento das empresas. Ao todo, 100% dos participantes manifestaram interesse em retornar na próxima edição, indicando a consolidação da rodada como parte recorrente da estratégia comercial internacional, enquanto 62% reportaram resultados acima das expectativas.
Segundo Rayane Alvarenga, esse desempenho está diretamente ligado à forma como as empresas se posicionam diante dessas oportunidades. “As companhias que chegam com clareza sobre onde competir e com entendimento do mercado conseguem avançar mais rápido nas negociações para transformar contato em oportunidade concreta”, orienta.
Ela reforça que é fundamental entender o contexto do cliente, adaptar a abordagem comercial e dar continuidade após o primeiro contato. “A rodada abre a porta, mas o fechamento depende da capacidade de execução das empresas”, completa.

